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04 de novembro de 2005

 Escravos do sexo em pleno século XXI

Por: Carmen Moreno*, E-mail:

Há quatro meses, Despot Despotovic perambula inutilmente frente à Casa Branca: ninguém atende suas advertências sobre a existência de uma rede de contrabando de crianças que percorre o mundo sob a direção da CIA.
Despot assegura que sua filha Corinne, desaparecida em junho passado na Carolina do Sul, foi tomada como escrava sexual por altos funcionários americanos.
A jovem nasceu em Marsella, França, faz 27 anos, mas desde 1982 se assentou na América do Norte, onde não deixou de ter "problemas e pesadelos constantes", relata seu pai, em um documento que preparou com numerosas fotografias com o objetivo de que seja investigado.
"estivemos vivendo aqui durante 23 anos e a Agência Central de Inteligência (CIA) não parou de nos incomodar. Eles trataram de nos humilhar e destruir nossa dignidade humana", sublinha Despotovic, de origem yugoslava.
Em seus relatos, a família qualifica a essa instituição como "uma mente doente que ataca a crianças e envergonha aos Estados Unidos", como uma fonte inacabável de perversões, que obriga as crianças a prostituir-se, a matar ou a traficar drogas.
Declarações muito similares deixou pasma Cathy O'Brien em seu livro autobiográfico Transe-formation of America, no qual menciona detalhes a respeito dos abusos que, tanto a crianças como a adultos, ocorrem na Casa Branca e o Pentágono.
Os testemunhos sobre o "programa de controle da mente", executado pela CIA sob a denominação do MK-Ultra, obrigaram ao Congresso norte-americano a abrir um processo judicial, que fechou faz uns anos por "razões de Segurança Nacional".
Milhares de vítimas aleijadas ou incapacitadas, e familiares das que morreram durante os experimentos, levaram a governo a investir milhões de dólares em indenizações, mas nenhum culpado foi processado.
Transe Formation of America expõe a verdade da escravidão a que foram submetidos numerosos jovens, convertidos em instrumentos de laboratório, cuja última meta era o controle psicológico de uma nação.
Mind Kontrolle Ultra (MK-Ultra) agrupou ao redor de 150 subprojetos aplicados durante 20 anos, cuja matéria prima fundamental foram às mulheres e as crianças pequenas, inclusive recém-nascidos.
Sob a direção do doutor Ewen Cameron, presidente da Associação Psiquiátrica Americana, aplicaram-se drogas, traumas e controles mentais a 40 mil pessoas.
Pôde-se confirmar que para executar esse "fascismo psiquiátrico" e criar "seres humanos robô", o ex-diretor da CIA Allan Dulles ordenou 100 milhões de dose do potente hipnótico Ácido Lisérgico (LSD) à firma Sandoz Laboratoris I.G. Farben.
O'Brien foi testemunha ocular “da corrupção que implica a algumas das figuras mais proeminentes na política dos Estados Unidos, que obrigou aos meninos a servir como agentes secretos, como objetos da pornografia e como escravos de sexo da Casa Branca".
Como ela, também Brice Taylor se declarou uma "Modelo Presidencial", ou seja, uma "pessoa programada para ter relações sexuais com presidentes (...), pois os distintos políticos se animam a utilizar agentes femininas da CIA".
Tanto O'Brien como Taylor asseguram que serviram aos ex-presidentes Richard Nixon, a dinastia Bush, William Clinton e muitos mais políticos.
Chris Denicola deixou prova de como com apenas quatro anos foi "programado para utilizar minha memória fotográfica", enquanto Candy Jones relatou que esteve a ponto de perder a vida por causa de uma programação suicida que lhe impulsionava a saltar de um precipício.
Outros pequenos como Claudia Mullen foram treinados no combate mano a mano, a manejar todo tipo de armas e aprender a matar de forma rápida e silenciosa.
Essas denúncias saíram a reluzir agora, quando Despotovic chamou a atenção sobre o desaparecimento de sua filha Corinne, e seus temores pelo destino de outras quatro crianças.
Assegura que depois da perda da jovem está a Polícia de Chicago, agentes federais e a Máfia, dirigidos por "serviços de informação" da Yugoslavia e França, contra os quais preparou um extenso documento com indícios e provas.
"Tudo começou em 1983 no Tennessee, quando quatro automóveis da polícia se levaram a meu filho de dois meses de idade", asseverou.
Diz que após, danificam-lhe seu automóvel, a moradia e lhe bloqueiam e sabotam constantemente o negócio familiar, "para me fazer à vida o mais miserável possível".
Sobre Corinne assegura que é uma excelente estudante, que escapou de uma sessão de hipnose que lhe tentavam dar na Universidade Médica do Charleston quando tinha 11 anos, e que aos 17 se livrou de um seqüestro.
Mas estas denúncias não foram atendidas na Casa Branca depois de quatro meses de protestos.
Nem por eles, nem pelos ao redor de 50 mil escravos que atualmente residem nos Estados Unidos, investiga-se aqui a profundidade este tipo de contrabando.
Nestes tempos, a polícia analisa 200 casos. Desde 2001, os fiscais federais identificaram só a 712 vítimas, e condenaram a 75 culpados.
Os resultados de operações realizadas pelo Grupo Especial do governo são insignificantes, em contraste com as denúncias de organizações antiescravistas, que insistem em ter encontrado mão de obra escrava ao menos 90 cidades.
Em 2004, a própria CIA detectou a 16 mil mexicanos sem documentos e centro-americanos submetidos à escravidão sexual e trabalhista.
Enquanto isso, milhares de letonas seguem sendo obrigadas a exibir-se nuas em clubes de Chicago e Los Angeles, tailandesas convertidas em escravas sexuais em incontáveis bordéis, e coreanas ou chinesas forçadas a transformar-se em faxineiras.
Enquanto
, no mundo se calculam 20 milhões de escravos, quase o dobro do número de seres humanos traficados desde África antes da abolição da escravidão.
*A autora é jornalista da Redação da América do Sul de Prensa Latina.

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